Histórias de idiotas

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O mundo está cheio de idiotas. Gente que não saber SER e ESTAR. Gente sem educação, formação e sobretudo com falta de sensibilidade, diplomacia e bom senso. Como fiquei com problemas de fala, depois do “incidente” do dia 26 de Março de 2016, ainda não totalmente superados, eu, a super extrovertida, faladora, palradora, contadora de histórias,  jornalista, formadora, comunicadora, abro menos a boca e vejo mais. E melhor. De repente, dou por mim, na fila de um supermercado, no metro, no café, no meio do trânsito rodoviário (acompanhada, porque por enquanto ainda não posso conduzir), na sala de espera das consultas hospitalares, na rua, a observar as pessoas que me rodeiam. E constato que há muitos, muitos idiotas.

A começar pelos que, com ar de comiseração, dizem alto e bom som, depois de me olharem de alto e baixo, e verem uma “coisa esquisita” no meu pé esquerdo (o foot-up que me ajuda a caminhar) e o meu andar titubeante, lento e ainda um pouco irregular, “coitadinha, tão nova e já manca”…Ou então, sem qualquer preocupação de discrição, “coitadinha, o que lhe terá acontecido para estar assim?”. E ainda há aqueles que olham fixamente para a minha perna e pé “mancos” como se fosse um bicho raro. E o que dizer quando os médicos me deixaram ir, pela primeira vez, passar um fim de semana a casa e apareci ao mundo numa cadeira de rodas, empurrada pelo meu companheiro? “Coitado do homem, tão novo e tão bonito e já com esta cruz às costas!”. Lengalengas repetidas até à exaustão, que nos tempos iniciais me provocavam moça mas hoje já não me afetam. O que me apetece dizer  é mesmo “cambada de idiotas”.

No outro dia, fui de metro até ao Hospital Pedro Hispano. Um percurso de 40 minutos, que permitiu um entra e sai das mais variadas personagens. Ao meu lado, sentou-se uma mulher com ar estafado que de imediato pegou no telemóvel e relatou a sua vida e os seus problemas ao público. O tom de voz era tão alto e a conversa de tal forma exaltada que tive de lhe pedir humildemente e com ar de súplica, não fosse a prima donna dar-me uma bofetada por estar a interromper o acalorado discurso, que falasse um bocadinho mais baixo. “Sabe, é que estou com uma gripe terrível e dói-me tanto a cabeça!. “Ah, isso trata-se. Tome lá um benurão”.. Idiota!

O supermercado é uma fonte inesgotável de idiotices. Quase fui atropelada (e ia caindo porque o meu equilíbrio não está ainda totalmente recuperado) quando, aqui há tempos, uma senhora muito bem posta de casaco de peles e cabelo emproado pela mise que tinha acabado de fazer na cabeleireira ao lado, ultrapassou-me a toda a velocidade com o seu carrinho de compras, com couves e nabiças até acima. Objetivo: chegar antes de mim à caixa. Eu só levava um saquinho de ervilhas congeladas…A senhora descarregou as compras, esqueceu-se de pesar os legumes e a fruta, achou os alhos picados congelados muito caros, obrigou a funcionária a pedir a uma colega que confirmasse o preço, decidiu que afinal ia levar alhos frescos, foi busca-los e pesa-los e eu…à espera com a minha unidade na mão. No meio daquela confusão toda, perguntei timidamente se podia pagar as minhas ervilhas, mas a resposta foi a esperada: “Desculpe, mas cheguei primeiro!”. Apeteceu-me dizer “idiota”!

Bom, mas ainda registo outro tipo de idiotas, como aquele que ao passar por mim, há oito, nove atrás, em Vigo, onde vivi durante dois anos, me disse “Dava um braço e uma perna por uma noite contigo”. No momento, o choque e a indignação foram tão grandes que só me ocorreu responder “GILIPOLLAS”. Traduzida à letra, esta palavra espanhola significa “parvo”, “idiota”. Este episódio fez-me recordar a primeira vez que usei tacões altos, umas botas de cano bem alto vermelhas, aos 14 anos, e confrontei-me com os maiores idiotas que há ao de cimo da terra, para uma mulher: os que mandam não piropos, que esses fazem bem ao ego de qualquer mortal, mas bocas foleiras. Ora eu, com aquela idade, tinha a altura que tenho hoje (1,75 m), e era uma mulheraça, já de corpo feito, pelo que, passar à hora de almoço por uma obra, quando a trupe de trabalhadores estava no seu período de descanso, atirando a todo o mulherio que tivesse a infelicidade de por ali circular, era um pecado mortal. A palavra “idiotas” ocorreu pela primeira vez na minha ainda meio infantilóide cabecinha, quando ouvi “Eh, cavalona, onde deixaste o cavalo?”.

Ao longo da minha vida deparei-me com um número infindável de gente parva e mal educada e a questão que coloco é a seguinte. deverei eu e os outros que sentem o mesmo dar troco e responder ou tomar atitudes à letra? Noutros tempos, empolgava-me, irritava-me e não me dava por vencida. Hoje, que falo menos e observo mais, acho que sinceramente aquele tipo de pessoas não são mais do que pulgas que de vez em quando saltitam nos nossos ombros e as quais  devemos afastar com os dedos. Vale a pena chatearmos-nos? Bah…não passam de meros IDIOTAS.

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